Fuck the Troika! We want our lives

A million people took the streest and squares of Portugal’s cities yesterday in a display of indignation against continuing policies of mass layoffs, salary and pension reductions, tax increases, cuts to public services and the like, all to satisfy the private debts of a few as dictated by the Troika (IMF, BCE, European Commission), leaving in its wake misery and an even greater public debt.

The protest, the largest since the revolution of the the 25th of April, shatters the illusion national consensus, opening up spaces for other critical voices and actions.  Its’ organisation at the margins of compromised political parties and labour unions creates similar possibilites.  And at the end of some of the demonstrations, assemblies were held to debate futures.  Much needs to be done to sustain yesterday’s anger beyond a day of protest, but that future is there, to be created.

The manifesto of the demonstration follows in portuguese and english …

 

QUE SE LIXE A TROIKA! QUEREMOS AS NOSSAS VIDAS!

É preciso fazer qualquer coisa de extraordinário. É preciso tomar as ruas e as praças das cidades e os nossos campos. Juntar as vozes, as mãos. Este silêncio mata-nos. O ruído do sistema mediático dominante ecoa no silêncio, reproduz o silêncio, tece redes de mentiras que nos adormecem e aniquilam o desejo. É preciso fazer qualquer coisa contra a submissão e a resignação, contra o afunilamento das ideias, contra a morte da vontade colectiva. É preciso convocar de novo as vozes, os braços e as pernas de todas e todos os que sabem que nas ruas se decide o presente e o futuro. É preciso vencer o medo que habilmente foi disseminado e, de uma vez por todas, perceber que já quase nada temos a perder e que o dia chegará de já tudo termos perdido porque nos calámos e, sós, desistimos.

O saque (empréstimo, ajuda, resgate, nomes que lhe vão dando consoante a mentira que nos querem contar) chegou e com ele a aplicação de medidas políticas devastadoras que implicam o aumento exponencial do desemprego, da precariedade, da pobreza e das desigualdades sociais, a venda da maioria dos activos do Estado, os cortes compulsivos na segurança social, na educação, na saúde (que se pretende privatizar acabando com o SNS), na cultura e em todos os serviços públicos que servem as populações, para que todo o dinheiro seja canalizado para pagar e enriquecer quem especula sobre as dívidas soberanas. Depois de mais um ano de austeridade sob intervenção externa, as nossas perspectivas, as perspectivas da maioria das pessoas que vivem em Portugal, são cada vez piores.

A austeridade que nos impõem e que nos destrói a dignidade e a vida não funciona e destrói a democracia. Quem se resigna a governar sob o memorando da troika entrega os instrumentos fundamentais para a gestão do país nas mãos dos especuladores e dos tecnocratas, aplicando um modelo económico que se baseia na lei da selva, do mais forte, desprezando os nossos interesses enquanto sociedade, as nossas condições de vida, a nossa dignidade.

Grécia, Espanha, Itália, Irlanda, Portugal, países reféns da Troika e da especulação financeira, perdem a soberania e empobrecem, assim como todos os países a quem se impõe este regime de austeridade.
Contra a inevitabilidade desta morte imposta e anunciada é preciso fazer qualquer coisa de extraordinário.

É necessário construir alternativas, passo a passo, que partam da mobilização das populações destes países e que cidadãs e cidadãos gregos, espanhóis, italianos, irlandeses, portugueses e todas as pessoas se juntem, concertando acções, lutando pelas suas vidas e unindo as suas vozes.

Se nos querem vergar e forçar a aceitar o desemprego, a precariedade e a desigualdade como modo de vida, responderemos com a força da democracia, da liberdade, da mobilização e da luta. Queremos tomar nas nossas mãos as decisões do presente para construir um futuro.

Este é um apelo de um grupo de cidadãos e cidadãs de várias áreas de intervenção e quadrantes políticos. Dirigimo-nos a todas as pessoas, colectivos, movimentos, associações, organizações não-governamentais, sindicatos, organizações políticas e partidárias que concordem com as bases deste apelo para que se juntem na rua no dia 15 de Setembro.

Dividiram-nos para nos oprimir. Juntemo-nos para nos libertarmos!

 

 

Screw Troika! We want our lives!

We must do something extraordinary. We must take the streets and the squares, the open roads, the side roads, the countryside. This silence is killing us. The noise of the mainstream media echoes in the silence, replicating that silence, weaving webs of lies that numb us and kill our desire. We must do something against submission, defeat, against the stifling of ideas, against the death of our common will. We must summon once more the voices, the arms and the legs of us all, knowing our present and our future are decided on the streets. We must win over fear, this fear that has been skilfully set and spread around us, and understand, once and for all, that we have almost nothing left to lose, and that the day will soon come when we will have lost it all, because we kept to ourselves, we felt alone, we gave up.
 

The plunder (loan, rescue, ransom, bail out, whatever lie they chose to make us cave in) has begun, and, with it, countless ravishing policies, whereby unemployment, precariousness, poverty and social injustice will rise dramatically, most of the state's assets will be sold out, social welfare, education and health (with the national health system in its death throes) will be severed, cultural and public services will become obsolete – all in favour of people and companies that get rich with the speculation on a country's default. After one more year of austerity under external surveillance, our perspectives, the hopes of the greater part of Portugal's residents, are bleaker than ever.
 

The austerity imposed upon us to destroy our dignity and life does not solve our problems but only stifles democracy. Those who accept to govern us under the Troika's Memorandum are giving up on the fundamental tools for our country's management, giving them away to speculators and technocrats, on the basis of an economic model favouring the survival of the fittest and the strongest, just like in the jungle, neglecting our expectations as a community, our living conditions, our dignity.
 

Greece, Spain, Italy, Ireland and Portugal are hostages of Troika and its financial speculation. They have lost their sovereignty and get poorer every day, as is bound to happen to all countries submitted to austerity. Against the inevitability of this compulsion to linger and die, we must do something extraordinary. 
 

We must build alternatives, step by step, springing from motivated populations, from the citizens of those countries – Greece, Spain, Italy, Portugal, Ireland – and of each and every one brought together, acting together, fighting for their lives and uniting their voices. 
 

If they want to bend us, force us to accept unemployment, precariousness and injustice as a lifestyle, we shall answer with the power of democracy, of liberty, of motivation. The power to fight back. We want to take the decisions of the present in our hands, so that we can build a future. 
This is, therefore, a call to all men and women from diverse areas of activity and political sympathies.

We appeal to everyone – individuals, groups, movements, associations, non-governmental organizations, syndicates, political structures and parties – to march together on the street on the 15th September. 
 

They've divided us to oppress us. We will unite to free ourselves!

(Que se lixe a Toika)

 

Photographs of the day …

From Esquerda.net …

The last words go to the poetry and music of chullage

 

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